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 30/07/2016 11:16:00


“Fabinho do Povo” é investigado por fraude em históricos escolares

Ele pode responder pelos crimes de estelionato, falsificação de documento público, formação de quadrilha e organização criminosa.

Fanpage do vereador


Segundo as investigações, Fabinho indicava pessoas que tinham interesse em receber o documento
IPATINGA – O vereador Fábio Pereira dos Santos, o “Fabinho do Povo” (PSL) está sendo investigado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), formado pelo Ministério Público, Polícia Civil e Polícia Militar. Ele é acusado de participar de um esquema fraudulento que falsificava históricos escolares em várias escolas em Ipatinga. O parlamentar pode responder pelos crimes de estelionato, falsificação de documento público, formação de quadrilha e organização criminosa.

Fabinho foi eleito nas últimas eleições municipais, em 2012, com 1.746 votos. Além dele, outras cinco pessoas estão sendo investigadas, entre elas uma ex-diretora da Escola Estadual Geraldo Gomes Ribeiro e um assessor parlamentar de Fabinho. Segundo as apurações, o grupo teria montado dois projetos sociais em Ipatinga que facilitavam avaliações para pessoas carentes, e consequentemente a emissão do histórico escolar de 2º grau.
Consta nos autos do procedimento investigatório que as avaliações na verdade eram apenas uma forma de dar credibilidade às fraudes, já que elas não eram autorizadas pela Superintendência Regional de Ensino (SER). Pessoas ouvidas pelo GAECO disseram que os testes eram aplicados na residência da ex-diretora.

FACHADA
Durante as investigações as polícias e o MP observaram que a fraude era minuciosamente pensada e elaborada, porque no ato do recebimento do “histórico” eram feitos cultos religiosos, festas de formatura com participação de familiares das pessoas e jantares em salões de festas. Em uma das festividades, os envolvidos teriam montado uma placa em homenagem à ex-diretora, como se a Superintendência Regional de Ensino autorizasse os projetos. “Mas tudo não se passava de uma farsa, mesmo porque esta placa havia sido confeccionada pelo próprio grupo criminoso e sem o conhecimento da SRE”, informou um integrante do GAECO.

No decorrer das apurações, que ocorrem desde maio deste ano – os investigadores perceberam que as pessoas carentes faziam as provas muitas vezes sem se quer terem conhecimento da fraude e pensavam ter participado de um projeto sério e legal. Algumas pessoas teriam inclusive apresentado os históricos em instituições pública e privadas, como o Detran e faculdades.

APREENSÕES
Em maio deste ano, o GAECO apreendeu vários materiais usados na montagem dos documentos falsos. Os acusados possuíam carimbos de várias instituições de ensino de Ipatinga e de várias diretoras e secretárias de escolas públicas, inclusive um carimbo da ex-Superintendente Regional de Ensino. “Chamou a atenção da investigação, foi o fato dos carimbos terem sido confeccionados sem nenhuma autorização das reais pessoas. Ou seja, um terceiro solicitando e uma empresa de carimbos de Ipatinga (já identificada) confeccionando sem nenhum tipo de conferência”, disse outra fonte ligada ao GAECO.

As investigações apontaram ainda que o esquema criminoso já durava desde outubro de 2014, passando por todo o ano de 2015, tendo se perpetuado até os dias atuais, como a emissão de dezenas de documentos falsos (históricos escolares, certidões e outros).

VEREADOR
As apurações apontaram ainda que o vereador Fabinho indicava à ex-diretora pessoas que tinham interesse em obter o documento falso. Ele ainda disponibilizava o gabinete para realizar cópias de avaliações para beneficiar o esquema e por fim participava dos eventos onde supostamente as pessoas estariam recebendo um histórico verdadeiro. Moradores do bairro Limoeiro - que não se identificaram por medo – disseram que assessores do parlamentar ocupavam cargos na Câmara Municipal se valendo do falso histórico escolar, visto a necessidade da escolaridade para ocupá-lo.

As escolas públicas que tiveram históricos falsificados foram: Escola Estadual Engenheiro Amaro Lanari Júnior (Ideal); Escola Estadual Manoela Soares Bicalho (Vale do Sol), Escola Estadual Geraldo Gomes Ribeiro (Limoeiro) e Escola Dona Caetana América de Menezes (Pedra Branca). As próprias diretoras revoltadas com a situação teriam procurado os órgãos públicos para noticiarem as fraudes, já que tiveram os carimbos e assinaturas falsificadas. A reportagem tentou conversar com o vereador pelo telefone, mas até o momento a ligação é direcionada para a caixa postal.

PERSEGUIÇÃO
Em nota, o vereador Fabinho informou está sofrendo perseguição por parte de seus opositores. “É normal em período eleitoral os adversários quererem prejudicar um parlamentar que em seu mandato fiscalizou o poder executivo com veemência e foi oposição a projetos que iam contra os interesses da população de Ipatinga”, disse o vereador.
No comunicado, o parlamentar disse que tal perseguição se deve ao fato de ele ter feito várias indicações de obras em sua base eleitoral (bairro Limoeiro). “E estranhamente a diretora da escola, após citar o nome do vereador Fabinho na denúncia, foi agraciada pelo Título de Cidadania Honorária de Ipatinga pelo vereador Adelson Fernandes, meu adversário político na Câmara dos Vereadores Ipatinga. É uma denúncia mentirosa que não irá afetar minha vida pública”, finalizou Fabinho acrescentando que após a apuração dos fatos tomará providências judiciais contra os autores da perseguição.


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